Nesse artigo você presenciará o nascimento de uma eugência. Não posso afirmar, estatisticamente, mas essa é a maneira mais comum para o surgimento dessas pseudo-agências de publicidade / design.
O fulano, que aqui chamaremos de Sobrinho, desde muito pequeno, se interessava por computadores. A avó se vangloriava, para as amigas, dos dotes tecnológicos do menino. O tio brincava, na mesa do restaurante, que o Sobrinho era um gênio da computação. “Fez até uma roumepeige na internet!”. Os pais achavam que Sobrinho passava muito tempo em frente do computador, mas se orgulhavam das belas capas de trabalhos da escola ou das belas figuras coloridas que ele fazia no “coreudráu”.
Um belo dia, o tio lhe trouxe algumas folhas de papel serrilhadas e pediu: “Sobrinho, faz uns cartões pessoais para o tio, que te pago um sorvete.”. Foi um sucesso. Sobrinho olhava as folhas serrilhadas saindo da impressora, e, surpreso viu que tudo deu certinho. Passado alguns dias, um amigo do tio pediu mais cem cartões, que Sobrinho imprimiu, destacou, e colocou na caixinha que ele mesmo montou, a mesma que veio na embalagem do papel serrilhado. Incrível! Conseguiu pelo pouco trabalho, o dinheiro para pagar o passeio no shopping! Daí em diante, Sobrinho criou logotipos, panfletos, “roumepaiges” – que ele passou a chamar de “uébiçaites”. O telefone dos pais sempre tocava com alguém pedindo ao sobrinho que fizesse algum material de papelaria. Era tão fácil: “coreudráu” e “fotochopi” que ele instalou de um CD-ROM emprestado de um amigo que vivia comprando programas de camelô. A conta telefônica era da linha da família. O apartamento era dos pais. Impostos ele nem sabia o que era. Já ganhava quase três vezes o valor da mesada.
Quando sobrinho cresceu, abriu uma empresa, ali mesmo, na casa onde morava. Descobriu que conseguia ganhar mais uns trocados se fizesse anúncios para jornais e revistas, pois o tal veículo – que ele não entendia por que se chamava veículo, uma vez que um jornal não tem rodas – pagava uma porcentagem do valor pago por seu cliente. 20%, ele ficou sabendo. Pra quê tudo isso? Se Sobrinho pegasse apenas 5% e desse os outros 15% de desconto no anúncio para o cliente, já estaria bom. Era bem mais que sua mesada, e além do mais, ele conseguiria mais clientes! Então Sobrinho fez vários anúncios, coloridos, exuberantes, com sombreados e altos efeitos dos programinhas que ele tinha no computador.
Sobrinho tinha agora vários clientes, podia até se dar ao luxo de pegar apenas 3% do valor de cada anúncio. A criação? Era de graça, oras! Mesmo para os cartões pessoais e folhetos, que continuava fazendo. Até porque os jornais e revistas estavam lotados de anúncios feitos por outros sobrinhos, e também muitos outros sobrinhos faziam os tais cartões pessoais.
Com a concorrência acirrada, Sobrinho estava ficando preocupado. Foi quando viu um dia o preço que uma empresa pagou pela produção de algumas fotografias. Que absurdo! Aquilo tudo por uma fotinho? Sobrinho, decidido, juntou seu dinheirinho e comprou uma câmera digital, uma das melhores para o uso familiar! Carregou as baterias na tomada e saiu visitando seus clientes e tirando todas as fotos que eles precisavam. Pelo preço do CD de sua banda predileta, o cliente tinha vinte e cinco fotos!
Hoje a empresa está bem maior. Possui dois micros, um scanner, a última versão do “coreudráu”, comprada na barraca do Pedro, um estagiário que um dia pretende completar o ensino médio. Os lucros estão bem acima das expectativas de Sobrinho, apesar do monte de outros sobrinhos concorrendo no mercado. Hoje ele até está montando um jornal de bairro, onde pretende permutar uns “rangos” legais para levar a namorada. Apenas uma coisa deixa Sobrinho chateado: seus clientes e ex-clientes costumam achar que não vale a pena investir em publicidade. Acham que não dá muito resultado.
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Vladimir Alves
Olá! Bacana o seu blog! Quando puder, visite o meu http://www.obuxixo.com Abração!
Rodrigo
Bem legal
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Daniel Lobato
Muito bom Rodrigo realmente todos os posts seus q leio fazem sentido, parece está falando de mim he he. Gostei tbm do post Publicitários do Interior são Ótimos entre outros. Forte abraço, sucesso.